ORT - Publicações Pedagógicas
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Browsing ORT - Publicações Pedagógicas by Author "Brandão, A"
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- Cavilha cefalomedular antirrotativa versus placa e parafuso dinâmico no tratamento de fraturas trocantéricas instáveis da anca.Publication . Pais, N; Brandão, A; Judas, FAs fraturas da extremidade superior do fémur, nomeadamente as fraturas trocantéricas, continuam a representar um sério problema de saúde pública em idosos com osteoporose, presentando um elevado índice de morbilidade e mortalidade, apesar dos avanços registados tanto na sua prevenção como no seu tratamento. Apenas o tratamento cirúrgico pode permitir uma marcha e uma recuperação funcional precoces, por forma que o doente consiga uma autonomia próxima da anterior à lesão. Para isso, o ortopedista dispõe atualmente de um leque alargado de implantes cirúrgicos que não tem, todavia, o mesmo valor e indicações, estando na dependência da “personalidade da fratura”. O objetivo central deste trabalho foi determinar, através de um estudo comparativo, os resultados radiológicos, clínicos e ortopédicos de uma série de 116 fraturas trocantéricas instáveis do fémur (AO 31 A2), em que se utilizaram dois tipos diferentes de implantes, a cavilha cefaloendomedular antirrotativa (PFNA®) e placa e parafuso dinâmico (DHS®). Foram analisados os registos clínicos de 116 doentes com fraturas trocantéricas instáveis, com um tempo de recuo igual ou superior a 12 meses. 66 casos foram tratados com DHS® e os restantes 50 com PFNA®. Procedeu-se ao registo do tempo operatório, do tempo de internamento, do tipo e qualidade da redução da fratura, do tempo de consolidação da fratura, da necessidade de transfusão sanguínea e das complicações clínicas e ortopédicas. Os dados obtidos foram sujeitos a um estudo estatístico usando o programa SPSS - Statistical Package for Social Sciences, versão 22.0 para Windows. Considerando a totalidade das fraturas 31 A2, o DHS® apresentou taxas superiores de reduções das fraturas consideradas insatisfatórias (23,4% e 18,0% para DHS® e PFNA®, respetivamente) e de complicações clínicas (34,8% e 32,0% para DHS® e PFNA®, respetivamente) e ortopédicas (15,2% e 14,0% para DHS® e PFNA®, respetivamente). O tempo de cirurgia, a necessidade de transfusão sanguínea (53,0% e 68,0% para DHS® e PFNA®, respectivamente) e a proporção de reduções das fraturas consideradas anatómicas (21,9% e 36,0% para DHS® e PFNA®, respectivamente) foi superior no grupo do PFNA®. O tempo de internamento e as taxas de consolidação foram semelhantes nos dois tipos de implante. Restringindo a análise apenas para o tipo específico de fraturas 31 A2.2., alguns resultados estatísticos sofreram alterações. As taxas de complicações clínicas (20,7% e 14,3% para DHS® e PFNA®, respectivamente) e ortopédicas (37,9% e 31,0% para DHS® e PFNA®, respetivamente) acentuaram-se no grupo do DHS®, com taxas de transfusão (69,0% e 64,3% para DHS® e PFNA®,respetivamente) semelhantes em ambos os grupos. No tratamento das fraturas trocantéricas instáveis da anca (31 A2.2) o PFNA® mostrou ser superior ao DHS®, em termos da qualidade de redução da fratura e nas taxas de complicações clínicas e ortopédicas. Nas estantes variáveis, o PFNA® não mostrou resultados inferiores.
- Dor em portadores de próteses totais primárias da anca: causas e avaliação clínicaPublication . Brandão, A; Cabral, J; Cabrita, B; Judas, FApesar da prótese total primária da anca ser referenciada como uma das endopróteses com maior sucesso em Ortopedia, uma pequena percentagem de doentes desenvolve um quadro doloroso localizado na anca num curto, médio ou a longo prazo, que pode ou não ser provocado pelo implante. A razão da persistência da dor após a implantação de uma prótese da anca pode ser sustentada por fatores intrínsecos, por fatores extrínsecos loco-regionais ou por outros fatores extrínsecos. O estudo das próteses da anca não pode ser feito isoladamente, deve estar integrado no complexo funcional vertebro-pélvico-femoral. Assim, tendinopatias dos músculos glúteos, do psoas-ilíaco, dos adutores, dos isquiotíbiais ou as afeções da coluna lombar, da articulação sacroilíaca ou do joelho homolateral e, ainda, afeções vasculares, nervosas e fatores psicológicos podem justificar a presença da dor. Neste contexto, o desprendimento assético e a infeção periprotética são dois importantes fatores que poderão estar na origem da dor na anca após uma prótese total da anca e devem, desde logo, ser excluídos antes de se considerarem outras causas menos comuns. Se não existir, aparentemente, uma razão que justifique a dor, o doente deve ser considerado como tendo uma infeção periprotética até prova do contrário. A anamnese e o exame físico, complementados por provas laboratoriais sanguíneas e do aspirado articular ou periarticular e, ainda, pelos exames imagiológicos, constituem os pilares sobre os quais assenta o diagnóstico das diferentes afeções que podem estar na génese da dor. Com efeito, o hemograma com fórmula leucocitária, a velocidade de sedimentação, a proteína C reativa, os exames radiográficos em diferentes incidências, a ecografia, a artrocentese com estudo citológico, microbiológico, cultura e antibiograma do aspirado articular, a tomografia axial computorizada quando indicada, são instrumentos valiosos para se conseguir alcançar um diagnóstico definitivo. Identificada a etiologia da dor, torna-se possível definir a estratégia terapêutica mais indicada, que é necessariamente diferente de um caso para outro. Constitui um princípio crucial só iniciar a terapêutica após o conhecimento do diagnóstico, quer se trate de uma abordagem conservadora ou, sobretudo, de uma intervenção cirúrgica. As dores inexplicáveis, de causa desconhecida, não encontram indicação para uma intervenção cirúrgica, assim como não é de aceitar a origem periarticular da dor sem terem sido eliminadas todas as causas de dor relacionadas com a prótese. A intervenção cirúrgica com a finalidade de se proceder a uma eventual recolocação artroplástica, sem prévio esclarecimento da etiologia da dor, não é uma boa prática produz, muitas vezes, um pobre resultado clínico.
- Partículas de polietileno e osteólise periprotética da anca: aspetos biológicos e tribológicosPublication . Brandão, A; Lucas, F; Joaquim, G; Judas, FOs excelentes resultados alcançados a curto e médio prazo com as artroplastias totais da anca não resistem à prova do tempo. Com efeito, à semelhança do que acontece com todas as outras artroplastias de substituição articular aplicadas em cirurgia ortopédica, o desgaste tribológico dos biomateriais incluídos na sua composição, conduz à formação de partículas, as quais estão na origem de reações de intolerância biológica, reações “a corpo estranho” (nomeadamente as partículas de polietileno). As partículas de polietileno promovem a estimulação de células da linhagem macrofágica, neutrófilos polimorfonucleares, fibroblastos, osteoblastos e de outras células que induzem a produção de citocinas, quimiocinas, ácido nítrico, prostaglandinas, metaloproteínases e enzimas lisossómicas, todas substâncias pró-inflamatórias. Estes mediadores da inflamação estão sob controlo direto do recetor ativador do fator kappa B (RANK) e do seu ligando (RANKL), da interleucina 1, 6 e 8, da proteína quimiotática macrofágica e de outros fatores. Estes mecanismos celulares levam à produção de fatores inflamatórios, que atuam por mecanismos autócrinos e parácrinos, com o consequente aumento desregulado da diferenciação, maturação e ativação de osteoclastos, provocando uma destruição local de tecido ósseo, isto é, uma perda de substância óssea (osteólise), a qual é causa de desprendimento da prótese levando à inevitável falência mecânica da artroplastia. Com o propósito de diminuir o número das partículas de desgaste do polietileno resultantes do contacto tribológico articular, surgiram nos últimos anos polietilenos altamente reticulados, que expressam uma modificação da estrutura intrínseca por irradiação como mecanismo principal. Os resultados no laboratório e clínicos, particularmente em próteses da anca e do joelho, apontam no sentido de uma melhoria em relação ao polietileno de peso molecular ultra-elevado, muito embora não haja tempo de recuo suficiente para confirmar estas primeiras impressões. De facto, a reticulação do polietileno reduz, também, as suas propriedades mecânicas, incluindo a resistência à propagação de fissuras de fadiga. Para além disso, as suas partículas, embora em menor número, apresentam uma maior reatividade biológica. Os mecanismos envolvidos na atividade biológica desencadeada pelas partículas de desgaste de polietileno são complexos. Novos biomateriais mais resistentes ao desgaste tribológico produzindo partículas biologicamente menos ativas poderão, muito provavelmente, minimizar quer a quantidade de partículas de desgaste produzidas quer a osteólise periprotética. Neste contexto, fármacos modeladores da resposta biológica às partículas, poderão contribuir para uma ainda maior longevidade dos implantes protéticos.