Utilize este identificador para referenciar este registo: http://hdl.handle.net/10400.4/1835
Título: Pé de Charcot – Um caso clínico
Autor: Moura, D
Figueiredo, A
Gaspar, AR
Mendonça, A
Faísca, J
Mariano, C
Palavras-chave: 
Artropatia Neurogénica
Data: 2015
Citação: Congresso Nacional Pé e Tornozelo 2014, Hotel Villa Batalha, 16 e 17 Maio de 2014
Resumo: A artropatia neuropática de Charcot é uma doença osteoarticular primária progressiva que atinge mais frequentemente o pé e tornozelo. Trata-se de uma patologia característica de doentes diabéticos de longa evolução e com mau controlo glicémico. Aceita-se hoje em dia que esta condição tem origem numa combinação de hiperémia/inflamação óssea, osteopénia e défices sensitivo-motores, ou seja, uma combinação das clássicas teorias neuro-traumática e neuro-vascular, com a nova teoria inflamatória. A doença pode estar na fase aguda, activa ou inflamatória, verificando-se um pé edemaciado, com calor e eritema, ou na fase crónica ou inactiva, onde são características deformidades acentuadas devido a luxações e fracturas. O diagnóstico faz-se sobretudo pela clínica, podendo a radiografia, a ressonância magnética e a cintigrafia óssea serem úteis, nomeadamente em termos de diagnóstico diferencial. Os objectivos do tratamento são analgesia, estabilidade articular, pé plantígrado, marcha e prevenção de úlceras, deformidades e amputação. A opção de tratamento depende da fase de doença, local, gravidade e grau de ulceração. Para a fase aguda reserva-se imobilização com bota gessada por 2-4 meses e descarga, enquanto na fase crónica está indicada imobilização com ortóteses tornozelo-pé ou calçado especializado ou correcção cirúrgica das deformidades em casos específicos. Casos de dor incapacitante, exostose, úlcera recorrente, deformidades acentuadas e luxações ou fracturas, têm indicação de correcção cirúrgica, que pode ir desde exostosectomia, a artrodese ou mesmo amputação. Apresenta-se um caso clínico de um caso de pé de Charcot com evolução rápida de destruição osteo-articular em 6meses. Quanto a classificações trata-se de Sanders-Frykberg grau III-IV (sub-talar, médiotársica),Brodsky grau II (sub-talar, talo-navicular, calcâneo-cuboideia) e Eichenholtz grau III (estadio crónico/consolidação - Deformidade). Face a deformidade acentuada instável e dor incapacitante, opta-se por tratamento cirúrgico com artrodese tripla do tornozelo com encavilhamento calcâneo-tibial retrógrado. Intraoperatoriamente verifica-se destruição osteo-articular necrótica acentuada do astrágalo e parcial do calcâneo, é então feita astragalectomia, encavilhamento calcâneo-tibial retrógrado e artrodese com 2 parafusos canulados: calcâneo-tibial e fíbulo-tíbio-navicular, bem como aplicação de aloenxerto. É feita imobilização com bota gessada, que é renovada em consulta a cada 2 semanas sob vigilância. A imobilização e descarga são mantidas até sinais deconsolidação. Quanto a prognóstico é conhecida a taxa elevada de complicações deste tipo de procedimento no pé de Charcot, estando relatadas percentagens superiores a 70%, nomeadamente de infecção, mau posicionamento de material cirúrgico, úlcera recorrente e fractura. São fundamentais para boa evolução manter a descarga e imobilização prolongada, a renovação de imobilização e inspecção frequente do pé e um bom controlo da glicémia. Face à localização e presença de deformidade acentuada e lesão cutânea, este caso clínico apresenta um prognóstico reservado, podendo eventualmente por complicações progredir para amputação.
Peer review: yes
URI: http://hdl.handle.net/10400.4/1835
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